Se você está lendo isto porque suas fotos ou vídeos íntimos foram divulgados sem a sua permissão, primeiro: você não fez nada de errado. Quem compartilha esse material sem consentimento é quem comete o crime. Há caminhos concretos para reduzir a circulação e responsabilizar quem divulgou, e você não precisa percorrê-los sozinha ou sozinho.
O que fazer, em ordem#
- Guarde provas sem repassar o material
Faça capturas de tela da publicação mostrando a URL, a data e a hora, e do perfil de quem postou. Salve mensagens, ameaças e chantagens. Não reenvie as imagens a ninguém, nem a amigos; se precisar de ajuda, peça que alguém de confiança colete os links por você.
- Denuncie nas plataformas
Redes sociais, sites e fóruns têm denúncia para imagens íntimas sem consentimento. Informe a URL exata de cada publicação e guarde o protocolo.
- Use a StopNCII.org (maiores de 18 anos)
O serviço cria uma impressão digital (hash) das imagens no seu próprio dispositivo; as imagens não são enviadas. Plataformas participantes procuram correspondências e removem as que violam a política contra abuso de imagem íntima. Ele só atua nas plataformas parceiras, não em toda a internet. Se você era menor de idade nas imagens, o serviço indica o Take It Down como alternativa.
- Peça a remoção dos resultados no Google
O Google tem formulário para pedir a remoção de imagens e vídeos sexuais compartilhados sem consentimento dos resultados de busca. Isso tira o link da busca, mas não apaga a página original.
- Registre boletim de ocorrência
Procure uma delegacia (de preferência especializada em crimes cibernéticos ou em atendimento à mulher, quando houver) e leve as provas. Muitos estados aceitam o registro online.
- Busque orientação jurídica
A Defensoria Pública ou um advogado podem orientar sobre notificação formal, medidas protetivas, ação judicial e indenização.
O que a lei diz#
O art. 218-C do Código Penal, incluído pela Lei 13.718/2018, pune quem oferece, troca, disponibiliza, transmite, vende, distribui, publica ou divulga, por qualquer meio, inclusive sistema de informática, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual com cena de sexo, nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima. A pena tem aumento de um terço a dois terços se o autor mantém ou manteve relação íntima de afeto com a vítima ou age com fim de vingança ou humilhação. A redação vigente da pena foi alterada pela Lei 15.280/2025; consulte o texto atualizado.
O art. 21 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) prevê que o provedor que disponibiliza conteúdo de terceiros responde subsidiariamente pela violação da intimidade decorrente da divulgação, sem autorização, de imagens, vídeos ou materiais com nudez ou atos sexuais de caráter privado, quando, depois de notificado pelo participante ou seu representante legal, deixa de promover de forma diligente, nos limites técnicos do serviço, a indisponibilização do conteúdo. A notificação deve identificar especificamente o material e a legitimidade de quem pede.
Se as imagens forem montagens ou deepfakes#
A StopNCII.org informa que também aceita imagens sintéticas de você, desde que você tenha acesso ao arquivo. O Google tem um fluxo próprio para imagens explícitas falsas. Veja deepfake com o seu rosto: o que fazer.
Se você quiser, pode verificar se uma foto sua não íntima aparece em páginas públicas. A busca é opcional e exige o seu consentimento; sem correspondência, nada é cobrado.
Nova consultaO papel (limitado) da nossa ferramenta#
Nossa ferramenta tem um papel limitado: ela só ajuda a localizar páginas públicas que usam uma foto sua, com o seu consentimento, e a organizar o roteiro de pedidos. Ela não remove conteúdo, não acessa contas privadas e não serve para identificar outras pessoas. Para casos de imagens íntimas, o caminho principal são as denúncias, a StopNCII.org, o Google e a polícia; a nossa busca é opcional e complementar. Recomendamos não enviar material íntimo à ferramenta: se quiser usar, envie uma foto comum sua e não íntima. Você entra na sua conta (com Google ou com um código por e-mail) e a solicitação segue para o servidor, que faz uma busca profunda, mais demorada que uma busca comum. O resumo aparece na tela quando fica pronto e também chega por e-mail, com um link para o resultado.
Cuidando de você#
- Avise uma pessoa de confiança. Ter alguém ao lado ajuda a lidar com denúncias e mensagens.
- Considere silenciar ou bloquear quem divulga ou comenta, depois de salvar as provas.
- Procure apoio psicológico. Muitos municípios têm atendimento gratuito.
- Evite negociar com quem chantageia. Pagar não garante que o material não será divulgado.